sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Mais uma vida que nos chegou. Uma vida que vos completa. Uma vida que não sendo vossa, a protegem como se vossa fosse. O único milagre que conheço. Aliás: a consequência do único milagre que conheço. O milagre que fabrica vida; o milagre que a todos transforma e nos move a sermos pessoas melhores. De todo o modo, o milagre atingiu-vos. Atingiu-vos, uniu-vos. Abraçou-vos e criou a  vida. A vida, o amanhã. O amanhã de noites de preocupação de caçadeira na mão, aguardando o tratante que acompanha o fruto do vosso milagre a casa. "Para a próxima cheguem mais cedo a casa", dirás em tronco nu fazendo reflectir a tatuagem nos olhos do burlão, abraçando com uma mão um pé já crescido, e com a outra travando a arma. "Não sejas assim", dirá a origem deste segundo milagre. Enfim, as discussões etéreas de quem quer bem. As discussões que o milagre obriga e as resoluções que o amor acompanha. O único milagre que conheço: Mais uma vida que nos chegou.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mudança de planos

Amigos,

Decidi há coisa de 10 minutos alterar o formato do meu blog. Lembrei-me que não escrevia aqui há uns tempos. Entretanto, "abri" o blog e verifico e o meu último texto é de Fevereiro... Enfim, uma vergonha. Ou será?

Se bem me lembro, iniciei este blog para poder relatar, perplexo, um jantar que tive com a minha actual mulher (mas namorada ainda). Nesse jantar, decidi criar esta página para gozar à vontade com a situação que naquele dia vivenciámos... E foi o que fiz. (não vos vou dizer que situação foi; caso queiram, podem navegar pela barra de entrada (situada imediatamente à direita deste texto), e não terão muito trabalho ao fazê-lo (é uma vergonha a quantidade que escrevi neste blog...), e o primeiro texto relatará o referido jantar.

De todo o modo, e correndo o risco de me repetir (não sei se já disse que é vergonhosa a quantidade de textos que aqui escrevi), é de facto pena não conseguir alimentar este blog tal como pretendia. Ou será? Com tanta gente que escreve (não escritores) por essa internet afora, poderia cometer o erro de repetir questões e de metralhar barricadas já fustigadas pela guerra.

Assim, optei por transformar o formato deste meu blog. Começarei a publicar fotos tiradas por mim e paralelamente escreverei algo sobre a foto. Talvez desta maneira me seja possível alimentar alimentar, por um lado, este blog, e por outro, esta minha recentemente adquirida paixão pela fotografia.

Um grande bem-haja (não sei se é assim que se escreve com a entrada em vigor do novo acordo ortográfico, mas como não quero saber do novo acordo ortográfico, não me preocupo) e espero continuar a satisfazer o gosto e a curiosidade de todos os meus leitores, de cada um dos 2...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Infelizmente não tenho tempo ou talvez engenho para usar este meu blog quotidianamente. Infelizmente, ou não... Na verdade, tenho o tempo bastante ocupado (o que me deixa feliz). Durante o dia trabalho como qualquer outra pessoa, e logo que termina a minha jornada laboral começa a minha vida. Começa a minha vida porque é nessa altura que começo a fazer o que gosto efectivamente de fazer. Vou para casa a pé com a minha alma gémea; chego a casa agarro no saxofone e no carro e sigo viagem até à escola de música onde os meus sonhos de criança se tornam realidade; após, volto para casa e encontro braços abertos e um sorriso pronto a envolver-me num momento de pura alegria. Depois do jantar, trabalho nas áreas que me dão prazer trabalhar enquanto ouço o meu momento de paz, o meu Thelonious Monk, o meu Chet Baker e tantos outros que me fazem amar a música como se faz com uma pessoa.
Lembro-me de um colega e amigo me ter dito que, o Direito não dá assim tanto prazer às pessoas. Se desse, chegaríamos a casa e agarríamos um livro de Direito. A verdade é que isso não acontece. A verdade é que nos agarramos a outras coisas completamente distintas do Direito, ou de qualquer área da nossa actividade. No meu caso é o saxofone e o jazz. No meu caso, sem prejuízo do prazer que o saxofone me traz, é estudar outras áreas do Direito. No meu caso, é estar deitado ao lado da mulher que amo, depois de ter tocado as minhas músicas, a elaborar acções, contratos, registos ou qualquer outra forma de Direito que eu aprecie. No meu caso, a minha vida começa na minha família, nos meus amigos, e prolonga-se por outras formas de vida que me fazem sorrir e enfrentar quaisquer situações adversas que se possam interpôr no meu percurso.

Estou neste momento sozinho em casa, escrevendo estas palavras, enquanto ouço uma gravação de 1966 do Thelonious Monk, e aprecio o meu copo de vinho à media luz, e penso em vocês, meus amigos, meus companheiros.

Agradeço-vos mais este bocadinho de inspiração que me deram, e espero que as pequenas coisas da vida vos tragam tanta alegria e felicidade como as minhas me trazem.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Eleições OA


26 de Novembro, 6ª feira.

Dedico esta entrada às eleições que terão hoje lugar na Ordem dos Advogados para a eleição do Bastonário, do Conselho Geral, do Conselho Superior, dos Conselhos Distritais e dos Conselhos de Deontologia da Ordem dos Advogados.

Aliás, dedico esta entrada não à eleição, mas antes, à prática livre, condigna e justa da advocacia em Portugal. Dedico esta primeira entrada ao Decálogo do Dr. António Arnaut, mandamentos que me guiam, advogado estagiário, mais do que na prática da advocacia, na vida.
Dedico esta entrada à minha toga, que apesar de não ser ainda "minha", envergo-a com orgulho e honra, nesta demanda de a transformar em estrela guia do meu futuro profissional e pessoal.

“A toga não é um privilégio, é uma responsabilidade, porque te impõe o rigoroso cumprimento dos deveres deontológicos”.

Não espero, com este texto, tocar o coração dos eleitores e conduzi-los seja a que lista for. Espero apenas sensibilizá-los para o facto de o voto ser, mais do que um direito, um Dever. Não se deixem seduzir por falsas patranhas, por populismos baratos, que em nada beneficiam a Advocacia e os Advogados. Não permitam que a escolha do nosso representante nacional seja feita por campanhas pouco sérias, por artimanhas equívocantes ou pela utilização de qualquer outro subterfúgio falso e vil.

Votem em consciência, certos de que o voto beneficiará os Advogados e não O advogado.

Infelizmente, não posso votar. Como referi há pouco, sou Estagiário. Mas, indubitavelmente, quando essa hipótese me pertencer, não será uma hipótese: será uma certeza. Votarei sempre. E votarei numa opção de futuro. Numa opção que se apresente como viável para, efectivamente, devolver o prestígio aos Advogados Portugueses.

Votem. Mas conscientes de que o voto servirá a todos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Laços...

A nossa vida não nos pertence só a nós. A nossa vida pertence a quem por ela passa. É preenchida pelas experiências que vivemos e partilhamos, boas ou más, sorrindo ou chorando, amando ou odiando. Mas mais do que tudo, a nossa vida é também dos nossos amigos. Amigos que podem ser familiares ou não. Amigos que podem ser quinhentos como podem ser cinco. Amigos que podem ser as pessoas que estão a ler este texto, ou não. Amigos de copos, ou amigos de ombro. Amigos que nos fazem rir ou que nos fazem chorar. Amigos que deixam nas nossas vidas um rasto de carinho, amor, amizade... Amigos que deixam a sua marca nas nossas vidas, e que nelas perduram até a chama se extinguir. Todas as pessoas por quem passamos, até mesmo no metro sem as conhecermos, deixam em nós a sua marca. Quer porque gostamos do que vemos, quer porque não gostamos. Há no entanto pessoas que se podem afastar de nós durante anos sem nunca partirem. São estas que nos marcam profundamente e é por estas que estamos dispostos a sair de casa quando não nos apetece. É por estas que rimos quando nos apetece chorar. Fundamentalmente, é por estas que nós somos nós mesmos. A verdadeira amizade não dura horas, não dura dias, não dura meses ou anos. A verdadeira amizade dura vidas. O vazio com que nascemos em nossos corações, sem prejuízo de preenchido pelas pessoas com quem contactamos assim que se inicia esta aventura, é preenchido pelas pessoas que por nós vão passando sem nunca partirem. É preenchido pelas palavras que nos são proferidas e que, quando pelas pessoas certas, só necessitam de ser proferidas de seis em seis anos.
A amizade já tem vindo a ser descrita variadas vezes sem nunca conseguir ser explicada. Por este motivo, não quero fazer deste texto um lugar comum. Quero antes deixar uma palavra de amizade, amor e carinho a todos aqueles que me ajudaram a viver durante todos estes anos e que, mesmo que se ausentem, nunca se afastaram de mim. Não precisamos de estar diariamente juntos para partilharmos seja o que for. Não é necessário falarmos diariamente ao telefone para sabermos que nos amamos.
Enfim, qualquer meio de comunicação se torna vulgar e dispensável quando tudo aquilo que podemos dizer pode ser dito num abraço, que mesmo que não seja forte, é teu.