
Bom, foi apenas um desabafo. Não quero por forma alguma tomar aqui qualquer partido.
O ponto fulcral do debate tem sido a obra do Terreiro do Paço, bem como as consequências que a mesma tem tido para os comerciantes.
Eu tenho uma palavrinha sobre os comerciantes:
Actualmente resido em Lisboa. Há pouco tempo iniciei o estudo desse belo instrumento que é o saxofone. Num belo sábado à tarde, quis comprar alguns materiais de que precisava para o saxofone. Surpresa das surpresas, todas as lojas de música em Lisboa estão fechadas entre as 13h de sábado e as 9h30m de Segunda-feira. Ai ai a crise, que não vendemos nada. Basta irem à Baixa para verem a quantidade de turistas (não só estrangeiros) que por lá passam todos os Sábados e Domingos, e a quantidade de lojas que estão abertas. Ai ai as lojas dos chineses... Pois é. NewsFlash: essas lojas estão abertas todos os dias... Mas posso dizer mais:
Eu saio do trabalho todos os dias por volta das 18h30, 19h. Caso queira ir a uma loja de música (por exemplo) comprar seja o que for, não posso. As lojas estão fechadas. Terei de ir Sábado... de manhã apenas.
Óbviamente que poderão contrapor com o facto de existirem poucos habitantes em Lisboa. Tal facto promove a inexistência de comércio durante os fins-de-semana. Concordo, em absoluto. Mas vendo bem, o número de habitantes em Lisboa atinge os 100 000. Será que estas pessoas são obrigadas a ir para um Centro Comercial aos fins-de-semana? Eu não vou.
Será que estes 100 000 Lisboetas não poderão ao fim-de-semana deambular pelas ruas da sua Cidade encontrando no seu trajecto lojas abertas? Ai ai que ninguém compra... Claro que não!!! Mas qual é a dúvida? Quando termino a minha jornada de trabalho e quero ir a uma loja, não posso... Estão todas fechadas... Aos fins-de-semana, altura em que posso ir seja a loja for, estão fechadas... Não tenho o direito de dormir mais um bocadinho aos Sábados?
Meus senhores acordem. O problema de Lisboa, aliás, comum a todo o País, é um problema de mentalidade. Não pensamos a longo prazo. Queremos ter dinheiro sem ter trabalho. Ideia da qual não discordo. No entanto, todos nós já percebemos que só os mais geniais dos caloteiros o consegue fazer. A maior parte das lojas emprega duas ou mais pessoas. Porque não dividi-las por turnos rotativos aos fins-de-semana. Querem re-habilitar Lisboa? Comecem as próprias pessoas a fazê-lo. Não se encostem ao negativismo tão característico do povo Português. Melhor: não se encostem à culpabilização do Estado pela situação do País. Como diria JFK: "Não perguntes o que o teu País pode fazer por ti, mas sim o que tu podes fazer pelo teu País."

Vamos revitalizar a Baixa Lisboeta. Vamos votar por Lisboa.